segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Pensamento Político- Maquiavel

A Série "O Pensamento Político" tem como o objetivo a análise de diversos movimentos em destaque, desde Maquiavel ao Fascismos. Parte desses artigos, que serão publicados de forma gradual, são fruto das aulas de Evolução do Pensamento Político lecionadas na faculdade FAAP de Administração pelo Prof. Fernando Gurgueira.
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A política nasce em plena Grécia antiga como oposição ao poder despótico e patriarcal das antigas comunidades gentílicas, sendo ela primordial para a Justiça na sociedade. Esta finalidade coloca a definição da palavra como algo inseparável da ética. Para Platão e Aristóteles não haveria ética fora da comunidade política. “Esse vínculo interno entre ética e política significa que as qualidades das leis e do poder dependiam das qualidades morais dos cidadãos e as das Polis dependiam da virtudes dos cidadãos. Somente em uma cidade boa e justa os homens poderiam ser bons e justo, logo somente esses com tais qualidades são capazes de instituir uma cidade boa e justa.( Chauí 1996, p385).

Tal definição da essência da política, ao longo da Idade Moderna (1453-1789) alterou-se drasticamente. Nessa Era de contestações, o homem inicia um confronto direto com os valores morais da Igreja, analisa os reais motivos das ações do homem na sociedade e como governa-la e o papel do Estado e do Rei. Da Renascença ao Iluminismo, Da Realpolitik de Maquiável ao Liberalismo de Locke, houve a formação da base dos pensamentos políticos atuais. Entende-los, de certa forma, são essenciais para entendermos o mundo atual – e não cometermos os mesmos erros do passado.

Retrataremos nessa semana de 3 principais pais do Pensamento Político Moderno: Maquiavel, Hobbes e Locke
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1) Maquiavel – A Era da Renascença, dos mercantes e da contestação política medieval. Século XVI

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Parte 1) – A Sociedade

Para entendermos Maquiavel devemos entender primeiramente como era a sociedade.

(Recomendação de artigo Contenporaneum: Idade Moderna, a Era das Contestações: http://contemporaneum.blogspot.com/2010/07/idade-moderna-1453-1789-era-das.html por Roberto Carnier)

Em pleno século XV, havia uma transição lenta do sistema feudal pelan, da Alta Idade Média, para o Capitalismo primitivo, o Mercantilismo. Aqui, o grande acúmulo de riquezas de mercadores, o fim das cruzadas e a retomada do comércio no mediterrâneo propiciaram sociedades que antes eram fechadas em feudos para outras mais abertas, através da formação de um Estado Nacional Moderno, centralizado na figura de um Rei e não mais nas mãos de prefeitos de palácio e senhores feudais.

O estado agora possuía o Monopólio da Força, através de um exército nacional e não mais formado de nobres proprietários de feudos e o aparato administrativo, da burocracia estatal. Assim como houve a reforma política, a econômica era decorrência das transformações da época.

O sistema econômico medieval da base de trocas torna-se monetário, influenciando cada vez mais no crescimento de cidades que recebiam mercadorias. E com elas não só mercadorias e bens lucrativos, mas o conhecimento filosófico do oriente e de terras da antiguidade.

A Renascença é reconhecida por esse nome não só pela retomada política e econômica, mas sim como cultural e política. Grande parte do conhecimento greco-romano era guardado pela Igreja e impossibilitada de ser transmitida para o povo em geral. Não pelo fato da falta de transmissão, mas sim pelo fato de que tais filosofias seriam contraditórias a uma sociedade medieval que era praticamente moldada às bases teológicas. Será na Idade Moderna que o homem será o centro do Universo e não Deus, a cultura e arte serão voltadas ao retrato do homem como ele é.

Foi nessa época que Maquiavel surge como um grande pensador e odiado pelos mais conservadores da época, no caso a Igreja, por contribuir para o processo de mudança da sociedade no nível político.

Niccolò di Bernardo dei Machiavelli vem de Florença, um estado independente em uma Itália ainda dividia e não unificada. Na época, a península itálica era repartida em 5 estados: Nápoles ao Sul, ao centro os Estados Papais – terras pertencentes a Igreja, datados desde o século VIII e seu fim só chegará apenas em 1870 – Florença, o Ducado de Milão e ao Norte Veneza. A Itália presencia uma grande instabilidade política, devido a lutas internas e invasões externas, perdendo lentamente a hegemonia do comércio europeu.

Maquiavel em 1489, aos 29 anos, torna-se funcionário do Estado de Florença, sendo preso e confinado a sua propriedade após a restauração dos Médici no poder.

A partir de sua prisão ele inicia a formação de seu contraditório pensamento político.

(Parte 2) – A Filosofia

Maquiavel é contrário às ideologias teocráticas – poder e ação humana social, cultural e política emanada de Deus, voltado ao mundo espiritual. A Igreja, na época, era coordenadora do pensamento e relações políticas, perdendo seu poder de certa forma apenas após a guerra dos 30 anos, devido as reformas protestantes, século XVII.

Sua Obra, o Príncipe irá contra todo o pensamento político-religioso, propondo ideias humanistas.

Para ele, o Estado Real, duradouro é capaz de impor a ordem, sendo ela um resultado das ações dos homens e não da natureza, de Deus e do acaso. A política em si é fruto das ações concretas dos homens em sociedade e o poder político advém de origem temporal e não divina. Apesar de favorecer um Estado que regula os homens e de imposição da ordem, Maquiavel vai contra o princípio de Platão e Artistóteles do ideal do homem, mas sim o que ele é no momento, em seu presente, uma Realpolitik.

O Estado, assim, é o que garante a estabilidade política e a ordem, podendo ser um principado ou república. A conquista desse poder vem da Fortuna do individiuo, através da Herança de sua família, da força e das qualidades alheias que possibilitaram tal conquista. A Força é o fundamento do poder, sendo ela proveniente da Virtu, armas próprias, da força. Essa força advém do principe

De acordo com Maquiavel, o príncipe é o fundador do estado, a autoridade soberana e ilimitada, através da força e da astúcia impõe o poder. Se ele for esperto deverá ser temido, mas jamais odiado. O Conceito em si de governar é o resultado obtido pelo príncipe:

“O príncipe que quiser se manter como tal deve, pois, aprender a não ser sempre bom, a ser ou não ser bom conforme a necessidade. Os fins justificam os meios”.

Escrito por Roberto M.S. Carnier

Bibliografia

> Historia Moderna e Contemp. - Leoneol Itaussu A. Mello
> Evolução do Pensamento Político, Aula de Graduação de Administração de Empresas, FAAP - Ministradas pelo professor Fernando Gurgueira
> Visual History of the World - National Geographic
> History - DK

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